da leitura do mundo de dentro

Um dia, as palavras disseram sinceras e impuras: necessário é reconhecer-se incompleto.

Essa falta é vasta quando não se sabe exatamente decifrar o sentimento lacunar que nos faz morrer dentro de um túnel de toca de coelho. A gente fica olhando o abismo da beirada do buraco e, por mais que queiramos que todos pensem que não vamos pular, assim disfarçada e teimosamente, deixamos o pé escorregar bêbado de vontade. A gente cai. Desastrosamente. Engraçadamente, por vezes. Indecentemente.

É uma descida trôpega. Ficamos como pedaços de carne esquecidos numa carroça de burro, meio a um caminho de tijolos faltosos. Balanço e fendas abertas. Manchas de sangue por causa das batidas no lastro. O embrulho, todo amarrotado, vai rasgando devagar, deixando à mostra os pedaços vermelhos de carne.

O buraco fica pequeno para o tamanho do vazio que ele contém.

O buraco sem chão. Sem nada onde pisar. Sem água no fim, como um poço seco.

Um poço… por que não um poço? Contendo água. Suja. Escura. Um filete apenas, capaz de afogar um verme que nada docemente na superfície do líquido.

 

A gente pede licença ao buraco, coloca luvas de camurça cor de barro e empurra com a força de um gigante as costas minguadas do espectro que está espreitando o escuro convidativo do desconhecido.

 

E cai.

Cai…

Cai…

No infinito provável do inconsciente.

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