Açougue

Chega um freguês, vindo da rua de cima, e diz:

– Por favor, um pedaço da parte dianteira.

Depois chega o gordo, dono da banca de jornal, e, pensando no almoço de domingo, pede:

– Você coloca para mim o lado com capa de gordura? Quero fazer um churrasco.

O pobre menino, com as mãos ainda vermelhas de sangue, entrega calado os dois pacotes de carne recém cortada. Aos poucos o coração dividido por arma branca vai saindo nas mãos de cada qualquer um que pede um pedaço do músculo, antes batedor de inteira vida.

Difícil olhar as mãos escorrendo de tanta vida… 

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